Por que os ninjas ainda são um mistério?

Os ninjas são personagens que despertam curiosidade e atenção de qualquer um interessado na História e artes marciais. Eles já foram retratados de diversas formas em filmes, quadrinhos e mangás, e também não faltam referências em nossa cultora com relação a essa classe de guerreiros.

Afinal, quem nunca ouviu alguém chamar outra pessoa de “ninja” por causa de seus movimentos furtivos ou velocidade? Esse conceito foi construído porque esses guerreiros eram assassinos natos, capazes de cumprir suas missões sem serem percebidos.

Porém, será que realmente sabemos tudo – ou ao menos alguma coisa – a respeito desses guerreiros? Neste artigo, reunimos alguns fatores que comprovam que infelizmente não sabemos praticamente nada a respeito dos verdadeiros ninjas.

1. Eles eram pessoas comuns

Embora fossem especialistas em artes marciais e assassinatos furtivos, os ninjas poderiam muito bem ser pessoas comuns na sociedade. É lógico que alguns guerreiros usavam essa posição como uma força de disfarce, despistando a atenção de possíveis inimigos que estivessem investigando suas vidas.

Por conta disso, é difícil precisar quantos ninjas existiam na época em que as histórias a respeito desses guerreiros era contada. Não sabemos, por exemplo, quantos camponeses, carpinteiros, lenhadores e outros profissionais desempenhavam a importante missão de serem ninjas furtivos e assassinos.

2. Rumores

Diversos rumores acerca dos ninjas eram espalhados durante as décadas em que esses guerreiros atuaram. É difícil até mesmo precisar o quanto nós realmente sabemos a respeito deles por causa disso. Muitos dos rumores foram espalhados pelos próprios ninjas, o que ajudaria a fazer com que essa classe se tornasse cada vez mais assustadora.

Acreditava-se, por exemplo, que os ninjas possuíam superpoderes. Afinal, como realizar assassinatos tão impossíveis sem chamar atenção? A capacidade furtiva realmente impressionava qualquer um que se deparava com as histórias envolvendo esses guerreiros que eram envoltos em diversos rumores.

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3. Diversos ninjutsus

Os ninjutsus são técnicas ninjas para o alcançar um objetivo específico. Há ninjutsus de camuflagem, com fogo, bombas e muitos outros elementos que poderiam se misturar com as técnicas próprias do guerreiro. Até mesmo técnicas de saque de espada eram extensamente estudadas pelos ninjas, que dominavam todos os aspectos da batalha.

Sabe aquela imagem de um ninja fazendo gestos com a mão de forma extremamente rápida e invocando diversas frases misteriosas? Esse é um ninja executando um ninjutsu, que pode fazer referência a diversas técnicas diferentes, como já mencionamos.

4. Sociedades secretas

Os ninjas não representam um mistério apenas para a população de uma forma geral. A própria classe não conhecia todos os estratos e camadas desses guerreiros. Tudo isso acontece exatamente pelo mesmo motivo do primeiro item da lista. Para manter a identidade assegurada, os ninjas não se revelavam um para o outro, exceção que só acontecia em momentos de combate.

Durante as batalhas, era inevitável revelar a identidade, já que as habilidades demonstradas em campo praticamente confirmavam quem era a pessoa. Nessa época, os ninjas eram realmente encarados como guerreiros natos, dispensando totalmente qualquer formalidade nesses momentos.

5. De geração para geração

Os ninjas sempre foram treinados para manter o máximo possível de discrição. Não é como se o guerreiro andasse o dia todo com o rosto tampado e uma espada nas costas. Dessa forma, ele estaria entregando sua identidade em vez de preservá-la. Além de manter um perfil sem suspeitas, os ninjas também se esforçavam para passar seus conhecimentos adiante.

É por isso que as famílias descendentes de ninjas dificilmente vão ter uma vida normal. Todos ali são constantemente treinados em artes-marciais, ninjutsus, códigos de honra e conduto, e muito mais. Até mesmo atividades domésticas eram realizadas por esses mesmos ninjas.

  • Andries Viljoen

    É complicado falar em estilos de ninjutsu, na concepção da palavra mais aceita hoje em dia.

    No Japão feudal, ninjutsu nunca foi encarado como uma forma de luta. Era muito mais uma maneira de fazer as coisas. O papel dos ninjas da antiguidade poderia ser comparado às tropas de comandos e operações especiais, ou aos espiões de hoje. As técnicas de luta propriamente ditas eram comuns a outras famílias e aldeias não ninjas.

    Dizem que o último ninja de verdade foi Toshitsugu Takamatsu, mestre de Masaaki Hatsumi, fundador da Bujinkan.

    Atualmente, mesmo as escolas que se autodenominam ninjutsu, não o praticam de verdade. E por um motivo muito simples: não estamos mais na idade média. O que se pratica nessas escolas costuma ser uma mistura das técnicas de luta corporal, luta armada, filosofia e tradições da antiguidade japonesa, na tentativa de preservar as tradições e formar o que poderia ser chamado de um “ninja moderno”. A prova disso e que as duas maiores entidades divulgadoras desse “ninjutsu moderno”, a própria Bujinkan, de Hatsumi, e a Genbukan, de Shoto Tanemura, chamam as artes que praticam de “budo taijutsu” e “ninpo bugei”, respectivamente.

    Ambas têm representantes em São Paulo, e têm suas próprias características. Fora essas duas, a não ser que você tenha alguma bagagem em artes marciais tradicionais japonesas, com conhecimento histórico inclusive, é prudente desconfiar de escolas isoladas. Principalmente se tiverem nomes estranhos, tipo “estilo do animal tal”, ou se disserem praticar ninjitsu (com “i”).

    Pode ser que você esteja diante de um daqueles felizardos que foram morar perto daquele velhinho japonês descendente de uma família ninja que, por não ter filhos, resolveu transmitir seus conhecimentos pro filho do vizinho? Pode ser… Mas a chance de você estar diante de um praticante de karatê + aikido + judo + kendo, que resolveu vestir um kimono preto e falar que é ninja, é com certeza muito maior.

  • Andries Viljoen

    É complicado falar em estilos de ninjutsu, na concepção da palavra mais aceita hoje em dia.

    No Japão feudal, ninjutsu nunca foi encarado como uma forma de luta. Era muito mais uma maneira de fazer as coisas. O papel dos ninjas da antiguidade poderia ser comparado às tropas de comandos e operações especiais, ou aos espiões de hoje. As técnicas de luta propriamente ditas eram comuns a outras famílias e aldeias não ninjas.

    Dizem que o último ninja de verdade foi Toshitsugu Takamatsu, mestre de Masaaki Hatsumi, fundador da Bujinkan.

    Atualmente, mesmo as escolas que se autodenominam ninjutsu, não o praticam de verdade. E por um motivo muito simples: não estamos mais na idade média. O que se pratica nessas escolas costuma ser uma mistura das técnicas de luta corporal, luta armada, filosofia e tradições da antiguidade japonesa, na tentativa de preservar as tradições e formar o que poderia ser chamado de um “ninja moderno”. A prova disso e que as duas maiores entidades divulgadoras desse “ninjutsu moderno”, a própria Bujinkan, de Hatsumi, e a Genbukan, de Shoto Tanemura, chamam as artes que praticam de “budo taijutsu” e “ninpo bugei”, respectivamente.

    Ambas têm representantes em São Paulo, e têm suas próprias características. Fora essas duas, a não ser que você tenha alguma bagagem em artes marciais tradicionais japonesas, com conhecimento histórico inclusive, é prudente desconfiar de escolas isoladas. Principalmente se tiverem nomes estranhos, tipo “estilo do animal tal”, ou se disserem praticar ninjitsu (com “i”).

    Pode ser que você esteja diante de um daqueles felizardos que foram morar perto daquele velhinho japonês descendente de uma família ninja que, por não ter filhos, resolveu transmitir seus conhecimentos pro filho do vizinho? Pode ser… Mas a chance de você estar diante de um praticante de karatê + aikido + judo + kendo, que resolveu vestir um kimono preto e falar que é ninja, é com certeza muito maior.