Cérbero, o guardião da porta do inferno

Na mitologia grega, Cérbero (também chamado de Cerburus o Kerburs) é um cão monstruoso de várias cabeças que guarda os portões do submundo. A sua principal função é prevenir a saída dos mortos e entrada de vivos nesse local. O Cérbero é fruto de uma união entre os monstros Echidna e Typhon.

Esse monstro geralmente é descrito como tendo três cabeças, uma cauda em forma de serpente e várias cobras saindo de várias partes de seu corpo. O Cérbero é geralmente lembrado por ter sido capturado pelo herói grego Héracles na história dos “12 trabalhos de Héracles”.

Em mais este artigo do Ah Duvido, vamos dissecar tudo a respeito dessa criatura misteriosa e aterrorizante. O Cérbero também já apareceu em outras produções dos cinemas e vamos relembrar suas principais participações nos filmes e outras mídias. Depois que você ler este artigo, vai ficar impressionado com a quantidade de informações existentes a respeito do cão infernal Cérbero, o guardião dos portões do submundo.

Como é o Cérbero?

As descrições dessa criatura mitológica variam bastante, especialmente considerando a quantidade de cabeças. O Cérbero geralmente é descrito como um cão de três cabeças, mas esse nem sempre é o caso. Há uma variação em que ele é descrito possuindo várias cabeças, em uma semelhança com a hidra, outra criatura mitológica da qual ainda vamos falar.

A hidra (um dragão de várias cabeças), na verdade, é o irmão do Cérbero, juntamente com o Orthus (um cão de duas cabeças) e a Chimera (um monstro com cabeças de leão, cabra e cobra). Essa são outras criaturas que ainda vão aparecer aqui na seção de mistérios do Ah Duvido.

Voltando para o Cérbero, ele é filho do monstro de várias cabeças chamado Typhon. A partir daí é possível entender porque todas essas criaturas geralmente chamam atenção por causa das várias cabeças que possuem.

Nas primeiras descrições de Cerberus, o filósofo Hesíodo o descreveu como um monstro com cinquenta cabeças. Já a descrição de Pindar, outro pensador grego do passado, conta que o cão, na verdade, é possuidor de 100 cabeças.

Porém, nas descrições que encontramos posteriormente, praticamente todos os escritores descrevem Cérbero com apenas três cabeças. Uma exceção fica por conta do monstro descrito pelo poeta latino Horace, que descreve a criatura como possuindo apenas uma cabeça de cachorro e outras 100 de cobras rodeando como se fosse jubas.

Outras descrições malucas

A presença de cobras na descrição de Cérbero começou com a história contada pelo pensador Horace. Ele conta que o cão tinha parte de seu corpo no formato de cobra. Essa descrição faz sentido se levarmos em conta seus “pais”, Typhon e Echidna, criaturas que também lembravam o que hoje conhecemos por serpentes. É por isso que Cerberus geralmente é mostrado como tendo parte de seu corpo que se assemelha a uma cobra.

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Porém, mesmo com relação a parte da cobra não há consenso. Diversos pensadores gregos da antiguidade descrevem Cérbero de formas diferentes com relação a posição das cobras. Alguns diziam que ela rodeava o corpo do monstro como se fosse longos pelos ao seu rodar. Outros, entretanto, falam sobre uma cauda na forma de serpente venenosa que age e pensa por vontade própria.

Para ficar tudo ainda mais confuso, apresentamos também a descrição de Euripides, outro pensador grego de destaque da época. Segundo o filósofo, Cérbero não apenas tinha três cabeças, mas como também teria três corpos unidos em algum ponto. Ainda de acordo com a descrição de Hesíodo, Cerberus comia carne crua de humanos, tinha olhas coo chamar ardentes, três cabeças famintas e uma única calda de cobra.

Independentemente de qual seja o formato real do Cérbero, uma coisa é certa: essa criatura era amedrontadora e realmente precisava ser. Ela era a responsável por guardar os portões do submundo, o lugar para onde os mortos iam. Como tarefas adicionais, esse cão gigantesco também precisava impedir que vivos entrassem no mundo de Hádes e que os mortos voltassem para o lugar dos vivos.

Falando em tamanho, as descrições de Cérbero tratam ele como um monstro colossal, tão grande quanto os dinossauros mais ferozes dos períodos jurássicos. Comparando com parâmetros atuais, podemos dizer que o Cérbero seria tão grande quanto uma baleia azul e os quatro vezes o tamanho de um grande elefante africano, que são criaturas realmente respeitosas quando o assunto é tamanho.

Os poderes de Cérbero

Como uma criatura mítica, Cérbero possuía alguns poderes e habilidades realmente invejáveis.

  • Tamanho avantajado: Cérbero é um animal gigantesco, maior do que qualquer ser humano. Ele é comparado aos grandes dinossauros da época em que viveram nesta terra;
  • Força: por causa de seu tamanho, o cão de três cabeças era extremamente poderoso e capaz de estraçalhar qualquer coisa que caísse em seus dentes e garras. O seu poder era capaz de impedir que os humanos saíssem ou entrassem no mundo dos mortos;
  • Sentidos: de origem canina, o Cérbero tinha sentido bem aguçados. O destaque vai para a capacidade do olfato, o que era potencializado pela presença de três cabeças que poderiam sentir cheiros a distâncias incrivelmente longas;
  • Múltiplas cabeças: várias cabeças traziam muitas vantagens para o Cérbero. Além de um olfato mais aguçado, a criatura poderia estraçalhar qualquer vítima sem dificuldades enquanto as outras duas cabeças imobilizavam os movimentos da vítima;
  • Imortalidade: como uma criatura do próprio Hades, Cérbero era imortal e, embora tenha sido derrotado por Hércules, jamais poderia ser completamente destruída por qualquer força que seja.
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A captura de Cérbero

Na fábula dos “12 trabalhos de Hércules” (Héracles para os gregos), a última tarefa do herói era trazer para Euristeu o monstruoso cão que guardava a entrada para o inferno. O semideus já havia enfrenado animais ferozes nos trabalhos anteriores. Hércules precisou matar o Leão de Neméia; a Hidra de Lema; capturar o veado de Enae e o javali de Erimonte; caças as aves do lago Esinfale; Capturar o touro de Creta e as éguas de Diomedes; e finalmente roubar a manada de bois de Geriones, que era guardada por Ortos, o cão de duas cabeças que era irmão de Cérbero.

Eristeu tinha ciúmes da fama e força de Hércules. Para sua tristeza, o semideus foi bem-sucedido em todas essas duras atividades, sem fracassar nenhuma vez sequer. Para acabar de uma vez por todas com o mocinho da Grécia, Eristeu estipulou que a última tarefa de Hércules seria domar Cérbero, o guardião do submundo, o Reino dos Mortos. Ele esperava que o semideus não fosse capaz de aguentar um embate com o cão monstruoso de Hádes.

Para concluir essa tarefa, a primeira coisa que Hércules precisou fazer foi descobrir como chegaria ao submundo. Uma vez lá, apresentou-se para o deus do inferno, Hades, que se recusou a ceder o seu bicho de estimação para o semideus. Depois de ter sido ameaçado, o senhor do submundo cedeu, mas colocou uma condição para que o cão pudesse ser levado: Hércules precisaria domar a fera sem usar nem um tipo de arma, apenas as mãos e revestido com a pele do leão de Neméia, que o tornava invulnerável. Esse leão, na verdade, era um dos irmãos de Cérbero.

Durante o embate, Hércules agarrou o cão pelas patas e, passando-lhe os braços pelo pescoço, manteve-o bem preso. Para se proteger, a serpente que assumia o lugar do rabo do Cérbero começou a desferir picadas venenosas no semideus. Mesmo sentindo muita dor, o herói continuou sufocando a besta até que ela finalmente desistiu e foi dominada.

Após a luta, Hércules montou sobre Cérbero e levou a criatura para a superfície. Lá, em contato com o sol, o monstro começou a vomitar e a cuspir uma baba que acabou se transformando em uma planta venenosa chamada acônito. Mesmo assim o semideus levou o monstro para Euristeu, que ficou impressionado com a façanha e até se escondeu em um jarro de bronze diante da criatura. Como eles não sabiam o que fazer com o Cérbero, resolveram devolvê-lo para o submundo e aos cuidados de Hádes.

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Aparições de Cérbero

O Cérbero já fez diversas aparições em outros lugares além dos contos e histórias gregas. Uma das menções mais memoráveis é na obra Divina Comédia, de Dante Alighieri. O cão de três cabeças aparece no Inferno dos Gulosos (Canto VI), lugar onde os mortos ficam solitários na lama e sem poder comer e beber livremente.

Lá eles ficam sob uma chuva gelada e a presença constante e ameaçadora do Cérbero. O animal de três cabeças devora a todos que encontrar pelo caminho com o seu apetite insaciável. O monstro é a imagem do apetite descontrolado, uma verdadeira crítica para os glutões de todas as épocas.

O Cérbero também é um personagem na história de Persy Jackson, uma história moderna que mescla o mundo real com criaturas míticas, especialmente as de origem greco-romana. No enredo dos livros, o Cérbero aparece como um grande cachorro que deixa as almas passarem para entrarem no mundo dos mortos. Os protagonistas da história precisam amansar a fera para poderem chegar até e conversarem com Hades.

Mas a aparição mais memorável do Cérbero é na série Harry Potter. Na história do bruxo, o cão de três cabeças media aproximadamente de 7 a 13 metros de altura e serviria para cuidar da pedra filosofal que estaria sendo armazenada no castelo de Hogwarts.

O animal teria sido carinhosamente batizado de Fofo por Hagrid, o dono da besta. No filme, é mostrado que o ponto fraco da criatura era uma bela canção de ninar, o que seria o suficiente para fazer o Cérbero repousar e permitir que qualquer um passasse facilmente por sua defesa.

A origem do nome

A etimologia do nome Cerberus é incerta. O autor contemporâneo Ogden considera que essa é, na verdade, uma nomenclatura recente e de origem indo-europeia que foi dada para a criatura. Ele alega que a palavra se assemelha ao termo kérberos, que significa “manchado”. Porém, alguns autores criticam essa etimologia.

Lincoln, autor de obras sobre a cultura grega na década de 90, acredita que o Cérbero como o conhecemos hoje é uma inspiração tirada a partir do cão mitológico nórdico Garmr, relacionando ambos os nomes com uma mesma raiz.

Embora provavelmente não seja grega, as etimologias gregas para Cerberus foram muito bem aceitas pelas sociedades que passaram a conhecer esse monstro. Uma etimologia dada por Servius (o comentarista do fim do século 4 em Virgil) – mas rejeitado por Ogden – deriva Cerberus da palavra grega creoboros que significa “devorador de carne”.