Existem muitas lendas, anteriores ao estabelecimento dos Códigos Internacionais de Ética nas inúmeras áreas científicas, que envolvem experimentos bizarros. A Ciência começou a tomar um rumo mais crítico sobre certas práticas depois dos anos 60. Antes disso, as grandes nações estavam preocupadas com seus avanços científicos e como naquela época  a Ciência andava com rédeas soltas, sem  restrição ou limites, nada impedia as bizarrices de tomar forma. Tudo que era válido para alcançar qualquer evolução nas mais diversas áreas do conhecimento humano era realizado. Entre os experimentos bizarros que foram realizados há uma história, melhor dizendo, uma lenda urbana que ficou famosa e ocupou a mente dos exploradores da creepypasta por muito tempo. Trata-se do experimento russo de privação de sono.

Existia, naquela época, uma gigantesca curiosidade do que a privação do sono era capaz de fazer com as pessoas. Os governos, em especial, o russo, tinha interesse no que aconteceria se os mecanismos produzidos pelo estado intenso repouso fosse arrancado do homem, vedando as cobaias de dormir durante um tempo longo. Uma das idéias é que a privação do sono tinha o efeito “língua solta”, tal como o soro da verdade, seria capaz de, por exemplo, fazer um espião capturado revelar os mais importantes segredos.

Hoje, os estudos sobre essa área já foram bastante explorados e como se sabe através deles, os experimentos de privação de sono são práticas perigosas e que o sono tem papel fundamental na capacidade de aprendizado e no processo de consolidação da memória, sendo que o organismo começa a responder negativamente após 27 horas sem descanso ( O Guiness Book reconhece como recorde mundial de privação de sono, a façanha realizada pelo filandês Toimi Soni, em 1989, que passou 276 horas (11 dias e meio) sem dormir, sem estimulantes.)

Contudo, na década dos conflitos, pouco se sabia e uma pesquisa tão atormentadora como essa era, sem dúvidas, unica. Os pesquisadores russos, no final dos anos 40, deixaram cinco pessoas acordadas por quinze dias ( algumas versões da história dizem vinte cinco dias), usando um gás experimental como estimulante. Eles foram mantidos em um ambiente selado, e monitorando o oxigênio deles, para que o gás não os matasse, já que possuía altos níveis de uma toxina concentrada. Para observá-los, havia um circuito interno de câmeras com microfones de cinco polegadas (N/T: aprox. 12 cm) e janelas menores que janelas de vigia dentro do ambiente. A câmara estava cheia de livros e berços para dormir, mas sem lençóis, água corrente e banheiro; também havia comida seca para todos os cinco. O experimento tinha duração prevista de um mês.

As cobaias do teste eram prisioneiros políticos declarados inimigos do Estado durante a Segunda Guerra Mundial.

Tudo estava bem nos primeiros 5 dias (10 primeiros dias em outras versões), as cobaias dificilmente reclamavam, já que haviam sido avisados (falsamente) de que seriam libertados se participassem do teste e não dormissem por 30 dias. Suas conversas e atividades eram monitoradas, e foi notado que elas conversavam constantemente sobre incidentes traumáticos no passado, e o tom geral da conversa tomou um tom sombrio a partir do 4º dia (ou nono, dependendo da versão).

Depois de cinco dias(ou dez), as cobaias começaram a reclamar das circunstâncias e eventos que os trouxeram à atual situação e começaram a demonstrar paranóia severa. Elas pararam de falar um com os outros e de começaram a sussurar alternadamente nos microfones. Estranhamente, eles pensavam que poderiam conseguir a confiança dos cientistas ao se tornarem seus colegas, e tentavam conquistá-los. No começo, os pesquisadores suspeitaram que se tratava de algum efeito do gás…

Depois de nove dias(ou quinze), o primeiro deles começou a gritar. Ele corria por toda a extensão da câmara gritando a plenos pulmões por 3 horas seguidas. Ele continuou a gritar, mas só conseguia produzir alguns grunhidos. Os pesquisadores acreditaram que ele conseguira fisícamente romper suas cordas vocais. O mais surpreendente disse comportamento foi como os outros reagiram a isso… ou não reagiram. Eles continuaram a sussurrar nos microfones até que o segundo prisioneiro começou a gritar. Os que não gritavam pegaram os livros disponíveis, arrancando página atrás de página e começaram a colá-las sobre o vidro das vigias usando as próprias fezes. Os gritos logo pararam.

Mais 3 dias se passaram. Os pesquisadores checavam os microfones de hora em hora para ter certeza de que funcionavam, já que pensavam ser impossível que 5 pessoas não poderiam estar produzindo som algum. O consumo de oxigênio indicava que as 5 pessoas ainda estavam vivas. Na verdade, acontecera um aumento no oxigênio, indicando um nível que 5 pessoas teriam consumido após exercícios pesados. Na manhã do 14º dia(ou décimo nono), os pesquisadores usaram um interfone dentro da câmara, esperando alguma reação dos prisioneiros, que não estavam dando sinais de vida, e os cientistas acreditavam que estavam mortos ou vegetando.

Eles disseram: “Estamos abrindo a câmara para testar os microfones, fiquem longe da porta e deitem no chão ou atiraremos. A colaboração dará a um de vocês liberdade imediata.”

Para a surpresa de todos, alguém respondeu calmamente em uma única frase: “Não queremos mais sair.”

Discussões começaram a surgir entre os pesquisadores e as forças militares que criaram a pesquisa. Não conseguindo mais resposta alguma através do interfone, foi finalmente decidido abrir a porta à meia-noite do 15º dia (20 dia).

O gás estimulante foi retirado da câmara e substituído por ar fresco, imediatamente vozes vindas dos microfones começaram a reclamar. Três vozes diferentes imploravam pela volta do gás, como se pedissem para que poupassem a vida de alguém que amassem. A câmara foi aberta e soldados entraram para retirar as cobaias. Elas começaram a gritar mais alto do que nunca, e o mesmo fizeram os soldados quando viram o que tinha dentro. Quatro das cinco cobaias estavam vivas, embora ninguém pudesse descrever o estado deles como “vivos”.

As rações a partir do dia 5 (ou décimo) não haviam sido tocadas. Havia pedaços de carne vindas do peito e das pernas tapando o ralo no centro da câmara, bloqueando-o e deixando 4 polegadas (N/T: 10cm) de água acumulando no chão. Nunca determinou-se o quanto dessa água era na verdade sangue.

Os quatro “sobreviventes” do teste também tinham grandes porções de músculo e pele extraídos de seus corpos. A destruição da carne e ossos expostos na ponta de seus dedos indicava que as feridas foram feitas à mão, e não por dentes como se pensava inicialmente. Um exame mais delicado na posição das feridas indicou que alguns, senão todos, ferimentos foram auto-induzidos.

Os órgãos abdominais abaixo da costela das quatro cobaias havia sido rompidos. Enquanto o coração, pulmões e diafrágma estavam no lugar, a pele e a maioria dos órgãos ligados à costela haviam sido removidos, expondo os pulmões através delas. Todos os vasos sanguíneos e órgãos remanescentes permaneceram intactos, eles só haviam sido retirados e colocados no chão, rodeando os corpos eviscerados, mas ainda vivos das cobaias. Podia-se ver o trato digestivo dos quatro trabalhando, digerindo comida. Logo ficou aparente que o que estava sendo digerido era a própria carne que eles haviam arrancado e comido durante os dias.

A maioria dos soldados ali presentes eram das operações especiais russas, mas muitos se recusaram a voltar à câmara e remover as cobaias. Elas continuaram a gritar para serem deixadas ali e também pediam para que o gás voltassem.

Para a surpresa de todos, as cobaias ainda lutaram durante o processo de serem removidas da câmara. Um dos soldados russos morreu ao ter sua gargante cortada, e outro foi gravemente ferido ao ter seus testículos arrancados e uma artéria da sua perna atingida pelos dentes de uma das cobaias. Outros cinco soldados perderam suas vidas, se você contar os que se suicidaram depois do que viram, semanas depois do incidente.

Durante a luta, um dos quatro sobreviventes teve seu baço rompido, e ele começou a perder muito sangue quase que imediatamente. Os pesquisadores médicos tentaram sedá-lo mas foi impossível. Ele havia sido injetado com mais de dez vezes a dose normal de morfina para humanos e ainda lutava como um animal, quebrando as costelas e o braço de um médico. Houve um ponto em que seu coração bateu fortemente por dois minutos, após ele ter sangrado tanto ao ponto de ter mais ar em seu sistema vascular do que sangue. Mesmo depois do coração ter parado, ele ainda continuou a gritar e a lutar por 2 minutos, gritando a palavra “MAIS” sem parar até ficar fraco e finalmente calar-se e morrer.

O terceiro sobrevivente estava muito debilitado e foi levado para um consultório, os outros dois com as cordas vocais intactas continuavam a implorar pelo gás para serem mantidos acordados…

O mais ferido dos três foi levado para a única sala cirúrgica que ali havia. Durante o processo de preparar a cobaia para receber o tratamento cirúrgico, foi descoberto que ela era totalmente imune ao sedativo que estavam dando. O homem lutou furiosamente contra as amarras que o prendiam à cama quando trouxeram gás anestésico para sedá-lo. Ele conseguiu rasgar mais de 4 polegadas (N/T: 10cm) de couro das amarras de um dos pulsos, mesmo com um soldado de 90kg segurando o mesmo pulso. Levou mais do que o necessário de anastésico para sedá-lo, e na mesma hora em que suas pálpebras se fecharam, seu coração parou. Na autópsia foi reveleado que seu sangue possuía o triplo do normal de oxigênio. Os músculos que estavam presos aos seus ossos estavam destruídos, e ele havia quebrado 9 ossos na luta para não ser sedado. A maioria eram pela força que seus próprios músculos haviam exercido. Teria ele, provavelmente, atingido o estado conhecido como “berserk”, porém, ainda mais potente que esse.

O segundo sobrevivente era o que primeiro que começara a gritar entre os cinco. Suas cordas vocais estavam destruídas, e ele não era capaz de gritar e implorar para não passar por cirurgia, e a única forma de reação que ele exibia era sacudir sua cabeça violentamente em desaprovação quando o gás anestésico foi trazido. Ele balançou sua cabeça positivamente quando alguém sugeriu, relutantemente, se os médicos aceitavam fazer a cirurgia sem a anestesia. O sobrevivente não reagiu durante as 6 horas de procedimentos do tratamento cirúrgico para reparar os órgãos afetados e tentar cobrí-los com o que restou de pele. O cirurgião de plantão repetia várias vezes que era medicamente impossível o paciente estar vivo. Uma enfermeira aterrorizada que assistia à cirurgia constatou que vira a boca do paciente virar um sorriso toda vez que seus olhos se encontraram.

Quando a cirurgia acabou, o paciente olhou para o cirurgião e começou a grunhir alto, tentando falar enquanto lutava. Acreditando ser algo de extrema importância, o médico pegou uma caneta e papel para que o sobrevivente escrevesse sua mensagem, “Continue cortando.”

Os outros dois sobreviventes passaram pela mesma cirurgia, os dois sem anestésico. Mas ambos tiverem um paralisante injetado durante a operação, pois o cirurgião achou impossível continuar o procedimento enquanto os pacientes se debatiam histericamente. Uma vez paralisados, as cobaias só podiam acompanhar o procedimento com os olhos, mas logo o efeito do paralisante passou e em questão de segundos eles começaram a lutar contra suas amarras. Quando perceberam que podiam falar novamente, começaram a pedir pelo gás estimulante. Os pesquisadores tentaram perguntar porque eles haviam se ferido, porque haviam arrancado as próprias entranhas, e porque queriam tanto aquele gás.

Uma única resposta foi dada: “Eu preciso ficar acordado.”

Todas as três cobaias sobreviventes foram colocadas de volta na câmara, enquando esperavam alguma resposta para o que seria feito com elas. Os pesquisadores, encarando a ira dos “benfeitores” militares, por terem falhado em seus objetivos, consideraram eutanásia aos pacientes. O comandante do processo, um chefe da ex-KGB, viu algumas possibilidades, e quis que as cobaias fossem colocadas novamente sob o gás estimulante. Os pesquisadores se recusaram fortemente, mas não tiveram escolha.

Em preparação para serem seladas novamente na câmara, as cobaias foram conectadas a um monitor EEG (N/T: Eletroencefalograma, que mede as ondas cerebrais), e tiveram suas extremidades acolchoadas para evitar que se auto-infligisse ferimentos. Para a surpresa de todos, todos os três pararam de lutar assim que souberam que seriam colocados de volta ao gás.

Era óbvio que até aquele ponto, os três estavam lutando para ficarem acordados. Um dos sobreviventes, que podia falar, estava cantarolando alto e continuosamente; a cobaia calada estava tentando soltar suas pernas das amarras com toda a sua força; primeiro a esquerda, depois a direita, depois a esquerda novamente, como se quisesse se focar em algo.

A cobaia restante estava mantendo sua cabeça longe de seu travesseiro e piscando rapidamente. Como fora o primeiro a ser conectado ao EEG, a maioria dos pesquisadores estava monitorando suas ondas cerebrais. Elas estavam normais na maioria das vezes, mas às vezes se tornavam uma linha reta, sem explicação. Era como se ele estivesse sofrendo mortes cerebrais constantes. Enquanto se focavam no papel que o monitor soltava, apenas uma enfermeira viu os olhos do paciente se fecharem assim que sua cabeça atingiu o travesseiro. Suas ondas cerebrais mudaram para aquelas de sono profundo e então tornaram-se uma linha reta pela última vez enquanto seu coração parava na mesma hora.

A única cobaia que podia falar começou a gritar. Suas ondas cerebrais mostravam as mesmas linhas retas que o paciente que acabara de morrer. O comandante deu a ordem para ser selado dentro da câmara com as duas cobaias e mais três pesquisadores. Nesse momento, um dos pesquisadores enlouqueceu ao saber que seria confinado. Assim que entraram na câmara, esse pesquisador não exitou, pegou sua arma e atirou entre os olhos do comandante, depois voltou para a cobaia muda e também atirou em sua cabeça.

Ele apontou sua arma para o paciente restante, ainda preso à cama enquanto os outros pesquisadores saíam da sala. “Eu não quero ficar preso aqui com essas coisas! Não com você!” ele gritou para o homem amarrado “O QUE É VOCÊ?” ele ordenou “Eu preciso saber!”

“Você se esqueceu?” O paciente perguntou “Nós somos você. Nós somos a loucura que vaga em todos vocês, implorando para sermos soltos toda vez dentro de sua mente animal. Nós somos aquilo de que vocês se escondem em suas camas toda noite. Nós somos aquilo que vocês sedaram no silêncio e paralisam quando vocês atingem o paraíso noturno do qual não podem sair.”

O pesquisador ficou quieto. E então mirou no coração do paciente e atirou.

O EEG tornou-se uma linha reta enquanto o paciente gaguejava “livre”

A creppypasta aponta a autoria da história à um livro escrito em 1998, em russo, após as aberturas dos arquivos da KGB em 1995. O livro que constava com inúmeros arquivos relacionado as operações secretas russas, teria a narração dessa atividade secreta. Logicamente, por se tratar de uma lenda urbana, nada disso pode ser confirmado, muito menos podemos dizer até que ponto isso é verdade ou mesmo se é verdade. Em alguns fóruns a autoria do texto é atribuída a rodrigo31, colaborador de um site de fanfictions. Todavia, outros afirmam que a data de entrada da história em alguns fóruns é anterior a data de entrada da história no site de fanfiction, o que leva ao prolongamento da discussão sobre a autoria e veracidade da obra.

Teorias e privação do sono

O interessante de toda essa bizarrice é que ela estimulou a imaginação de alguns dos usuários desses canais  que começaram a teorizar sobre uma questão que intriga a Ciência há tempos: por que a privação do sono pode ocasionar a morte? 

Apesar de sabermos que o sono é essencial para que o organismo realize diversas de suas funções, a Ciência ainda não sabe responder por completo a questão do porquê a privação pode causar a morte. Ensaios realizados com camundongos mostraram que sem o alcance do estágio REM, ocorre a falência múltipla dos órgãos entre 3 e 8 semanas. Como o ensaio nunca foi realizado em humanos, por ser obviamente, totalmente anti-ético, não se sabe o que realmente acontece conosco após um longo período de privação do sono.  Já foi constato em humanos, em pesquisa controladas, que a privação do sono causa efeitos negativos no organismo nos humanos após 27 horas sem descanso. Depois disso, o organismo começa a tentar bruscamente adaptar-se a situação. Quando não consegue, a pessoa automaticamente apaga, em outras palavras, desmaia. Quando consegue, todavia, o organismo começa sofrer lesões, que embora pequenas, vão se agravando com passar do tempo.

No final de Outubro de 2007, um estudo publicado na “Current Biology”, dirigido por Matthew Walker, do Laboratório do Sono e Neuroimagem da Univesidade da Califórnia, mostrou alguns efeitos da privação do sono em transtornos psiquiátricos. “É quase como se, com a falta de sono, o cérebro ficasse com uma atividade mais primitiva”, diz Walker. Um Grupo de 26 pessoas, dividido em dois, foi testado e a metade do grupo que passou cerca de 35 horas sem dormir, ao observar imagens desagradáveis, teve reações cerebrais 60% mais intensas que o outro grupo, que dormiu normalmente. A privação de sono, segundo o pesquisador, destrói mecanismos que regulam aspectos chave da saúde mental. Walker afirma: “O ponto básico é o de que o sono não é um luxo. É uma necessidade biológica e sem ele o indivíduo pode sofrer conseqüências cognitivas e emocionais”.

Também foi constatado em estudos que a privação muito prolongada do sono pode causar demência temporária, alucinações, distúrbios mentais dos mais variados, dores/atrofia/perda de massa muscular, perda de peso, danos ao sistema metabólico, danos cerebrais- inclusive pode desencadear a doença o mal de Alzheimer – entre outros danos a sáude.

Caso Randy Gardner

Outro experimento ocorreu em 1965. O caso de Randy Gardner foi documentado e acompanhado por um neurologista. Gardner, aos 17 anos, permaneceu acordado 11 dias só por diversão, e sem usar drogas estimulantes. Assim descreve seu caso o neurologista David Linden que acompanhou o caso:

Durante este período, Gardner a princípio foi ficando com mau humor, seus gestos foram-se tornando mais torpes e seu estado de ânimo era cada vez mais irritável. À medida que o tempo avançava, começou a ter delírios -dizia que era um famoso jogador profissional de futebol americano-, depois teve alucinações visuais -viu um caminho que cruzava um bosque que se estendia justo onde terminava seu dormitório-, paranoias e uma ausência completa de concentração mental. De forma surpreendente, após quinze horas de sono, quase todos estes sintomas se mitigaram. Aquele incidente ao que parece não deixou em Gardner nenhuma lesão física, cognitiva ou emocional duradoura.

O tempo máximo que uma pessoa pode se manter sem dormir não é conhecido com exatidão. E, ainda que não exista bibliografia científica de humanos que tenham morrido por privação total do sono, há indícios deste tipo de morte nos experimentos que os nazistas realizaram nos campos de extermínio durante a Segunda Guerra Mundial, bem como relatórios de execuções na China do século XIX na qual foi aplicado.

Estes documentos sugerem que a morte chega entre a terceira e quarta semana da privação de sono.

A este respeito, também existe uma doença sumamente rara chamada Insônia Familiar Fatal (IFF). Este transtorno genético apresenta-se entre os 50 e 60 anos, de um dia para outro, e os sintomas são que a pessoa não consegue mais dormir. Ainda que o paciente tente em vão conciliar o sono, só consegue um estado de letargia que não permite o descanso. Após oito meses, a fase final da insônia leva a um coma profundo e sem volta. Atualmente não existe tratamento nem cura para esta doença.

Meu caso de privação de sono

Não sou de falar da minha vida particular no blog mas como já passei por uma grande prova de privação do sono, irei abrir uma exceção.

Vocês sabem que todo adolescente tem uma queda por fazer coisas idiotas e sem noção e sem precisar de motivo. Assim era eu aos 15 anos. Em uma viagem de acampamento escolar, que tinha duração de cinco dias e não tinha nenhuma supervisão dos professores, eu e a minha turma decidimos que iríamos passar os cinco dias do acampamento ACORDADOS. Nem preciso dizer que isso foi uma imensa besteira. Estávamos infligindo auto-tortura por nada.

Desse acontecimento o unico presente que recebi foi uma história muito sinistra para contar para os outros. Até o terceiro dia deu para levar numa boa, nada de anormal aconteceu, somente fiquei com uma intensa dor de cabeça, cansaço e um constante enjôo.  Do terceiro dia em diante a situação ficou tensa.

Na noite do terceiro dia lembro que constantemente avistava uma espécie de vultos rodeando a  cabana onde estávamos instalados. Comecei a me sentir vigiado, tinha a sensação que havia alguém observando mesmo quando estava sozinho. Um medo descomunal surgiu e eu fiquei completamente atordoado. Quando a manhã do quarto dia chegou, o medo cessou. Lembro que tudo me incomodava, principalmente a luz do Sol. Não sentia mais fome porque tudo que comia me enjoava e causava ânsia de vomito. Eu olhava para floresta e ela parecia distorcer, as árvores somos nozes  pareciam se mexer, outras pareciam que estavam caindo. Estava extremamente cansado, principalmente, porque nos dias anteriores, praticávamos atividades esportivas, como jogar futebol e vôlei pelo menos 3 horas diárias. No quarto dia estava tão fraco e tão irritado com tudo que só a idéia de sair da cabana já era completamente estressante. Fiquei sentado boa parte do dia, sem fazer nada.

Recordo que dois dos meus amigos não resistiram e foram dormir e uma das meninas ficou muito incomodada com a idéia dos dorminhocos. Ela estava deitada no chão próximo a cadeira onde estava sentado, reclamando o tempo todo e de repente começou a gritar comigo por um motivo que desconheço até hoje, pois não dava a mínima para o que ocorria ao redor, só queria ficar sem fazer nada. Ela se levantou e acordou os dois que foram dormir.

Na noite do quarto dia, a situação tinha ficado bastante insustentável. Todo mundo discutia com todo mundo por causa de nada. As alucinações aumentaram e hora ou outra avistava uma sombra rodeando um ou outro(a) amigo(a). Deitei um pouco e quando fui fechar os olhos, um amigo gente boa, entrou no quarto tocando aquelas buzinas portáteis a gás. Fiquei completamente sem norte, levantei, sai da cabana, andei para o meio da floresta, vi umas coisas muito estranhas e corri de volta para cabana. Nesse meio tempo já tinha rolado umas brigas feias dentro da cabana, fiquei sabendo dias depois que retornei da viagem. Com a paranóia tomando conta, o jeito era ficar parado sem fazer nada, entretanto, isso só dava mais sono e eu fui inventar algo para fazer para não “apagar”. Lavei o rosto com água fria mas foi ineficaz. Voltei para o quarto e tudo começou a girar, pensei que ia desmaiar, sentei na cama e as paredes estavam diferentes, cheias de formas geométricas brilhantes se movimentando. Decidi que já estava na hora de dormir, antes que ficasse louco de vez. Fechei os olhos e quando estava adormecendo fui acordado por um balançar brusco ocasionado por pessoas inconvenientes pulando em cima do meu colchão. Irritado, sai do quarto, deitei no sofá e novamente escutei aquela buzina chata, do lado do meu ouvido. Sai e fui para o lado de fora da cabana. Naquele momento eu já via vultos, sombras por todos os lados, se movimentando, formas geométricas correndo por tudo que era canto e escutava gente cochichando. Coloquei um pézinho no sanatório. Perdi completamente a noção do tempo, tanto que sentei na cadeira e fiquei lá olhando para floresta por seis horas e pareceu dez minutos. Ao perceber que o Sol estava nascendo fiquei espantado.

Na manhã do quinto dia, não tomei café, não conseguia mais comer. Resolvi entrar na cabana para ver o que o pessoal estava fazendo, encontrei dois dormindo no chão e outros jogados em cima do sofá. No quarto, havia três dormindo em cima da cama e uma garota no chão. Somente um amigo e uma amiga permaneciam acordados e estavam tão pirados quanto eu. A menina mesmo estava em pane cerebral, não adiantava falar com ela, ela não escutava. Quando o onibus apareceu para nos buscar eu agradeci muito que finalmente aquilo iria acabar.

Ao chegar em casa, na noite do quinto dia, me joguei na cama e apaguei. Dormir por 18 horas direto. Após acordar percebi que estava tudo normal novamente, exceto pela dor de cabeça, que ainda estava bem forte. Quando li sobre o rapaz que ficou 11 dias acordado fiquei imaginando como o sujeito não pirou. Eu fiquei praticamente 120 horas e estava quase dando a entrada no hospício, nem imagino o desconforto terrível que é ficar 264 horas acordado sem estimulantes. Sinceramente, não aconselho ninguém tentar esse feito, é uma tortura psicológica e física das piores.

Opiniões sobre a Morte por privação do sono

Na discussão sobre a lenda, certos usuários supondo a veracidade da história, começaram a teorizar qual seria o motivo da privação de sono causar a morte e porquê as cobaias da lenda urbana haveriam chegado ao estado que chegaram. Separei algumas interessantes, veja:

Sensata: Existe funções essenciais do organismo animal que é desconhecida para Ciência e que tem intima ligação com o estado de repouso profundo. Ao não dormir, o organismo estaria inibindo o perfeito funcionamento dessas funções. Após um longo tempo existe um agravo, que geram danos a saúde. Se o organismo tenha sido obrigado a continuar desperto, sem o devido repouso, os danos aumentam até o ponto que o cérebro e  os demais órgãos entram em falência.

Mediana: O cérebro é semelhante a uma máquina e como tal, precisa de tempos de repouso para evitar desgastes devido ao uso excessivo.

 Maluca: O cérebro voltaria para seu estado primitivo para suprir a demanda funcional, desligando aos poucos as areas destinadas ao raciocínio e deixando apenas as relacionadas com as funções essenciais para sobrevivência, de tal modo que após um tempo muito longo a pessoa perderia a consciência do ser e o ego. Nesse estado, a pessoa sequer conseguiria saber que necessitava de descanso e iria continuar acordada até que o cérebro parasse de funcionar de vez.

Mais Maluca: Se o universo for uma simulação computacional, de forma que o usuário entrasse em no sistema sem saber da existência da outra realidade, a unica maneira de “injetá-lo” dessa realidade virtual seria através de um dispositivo, o sono. Prevendo a possibilidade do usuário sempre ficar desperto, seria programada a imediata “injeção”. Quando o usuário negar a usar um dispositivo de desconecção, o ato é levado ao extremo, dando a punição da morte do usuário na realidade virtual.

Opiniões sobre o porquê das reações no experimento

Sensata: a toxina causou um efeito adverso nas cobaias e viciante que, em conjunto com os efeitos negativos ocasionados pela privação do sono, levaram os humanos a um estado animalesco, totalmente irracional, deixando-os inconscientes da situação em que se encontravam e movidos por instintos primitivos.

Malucas: Segundo alguns teólogos, quando Buda enfrentou Maya, na sua busca pela iluminação, na verdade, o que ele fez foi conseguir acessar o seu subconsciente e derrota-lo, atingindo a nirvana. Haveria dois meios de acessar o subconsciente: através da meditação e através da privação do sono. A diferença entre atingir com uma prática ou outra, é que pela privação do sono você não está preparado para encarar o que irá encontrar por lá. É como se você entrasse no lado oculto da sua mente, literalmente, assim como aparece nos filmes. Você não pode encarar e derrotar Maya sem estar preparado porque Maya é justamente aquilo que você mais teme e também o que mais deseja. Resumindo: se deparar com o seu subconsciente é o seu pior pesadelo! Quando acontece esse encontro forçado do seu eu com o seu subconsciente, o resultado é que você perde sua sanidade, pois sua consciência fica presa no subconsciente e no lugar, toma conta o seu lado primitivo, por isso do comportamento animalesco. Na história de Buda, Maya tenta ele de diversas maneiras, porém Buda estava preparado e rejeita as propostas. Então Maya tenta amendrontá-lo, mas Buda não teme mais nada. Assim Maya é derrotado e Buda atinge o Nirvana. Se Buda estivesse falhado, poderia estar preso dentro da própria mente ( a realidade é que, adotando esse pensamento, qualquer um de nós poderíamos estar presos dentro de realidades que são reflexos dos nossos desejos e medos, criadas por Maya, seu subconsciente, para prender a sua consciência da verdade). Por isso que quando questionado sobre quem eram, a cobaia responde: “Nós somos você. Nós somos a loucura que vaga em todos vocês, implorando para sermos soltos toda vez dentro de sua mente animal. Nós somos aquilo de que vocês se escondem em suas camas toda noite. Nós somos aquilo que vocês sedaram no silêncio e paralisam quando vocês atingem o paraíso noturno do qual não podem sair.” As cobaias seriam o lado primitivo do homem desperto quando a consciência ficou presa no subconsciente (idéia que é bastante explorada no filme Inception)

Mais Maluca:  Nosso universo é uma caixinha de surpresas, quando nós pensamos que entendemos ele, aparece alguém mostrando algo nosso e extraordinário ao seu respeito. Uma dessas descoberta foi o fato de provavelmente existir mais de três dimensões espaciais. Essas dimensões extras conectariam diversos pontos do universo e até mesmo, esse universo com um outro universo. Alguns acreditam que os seres humanos podem ver essas dimensões nos primeiros dias de vida e que são excluídas pelo cérebro com o tempo, assim como, a dor ou um trauma, devido ao excesso de informação que ele deveria assimilar caso visualizássemos elas sempre. Dessa maneira, ficamos “cegos” em relação à totalidade das dimensões. De alguma forma, quando acontece a privação do sono, essa parte primitiva do cérebro desperta e começamos a visualizar novamente. Por isso o rapaz que ficou acordado 11 dias via um caminho que levava a um bosque dentro do seu dormitório.

Na história, as cobaias apresentam um estado de demência avançado que poderia ser conseqüência do choque em começar a ver o que não era para ser visto. Estariam eles conectados a algum região do espaço ou visualizando outro universo? Ao alcançar a visão do todo, ganhariam uma consciência holística, capaz de ver todo o universo de dentro da sua mísera sala.

“Você se esqueceu?” ( referencia ao fato de perder a consciência do todo) O paciente perguntou Nós somos você. Nós somos a loucura que vaga em todos vocês, implorando para sermos soltos toda vez dentro de sua mente animal. ( o todo e o dom) Nós somos aquilo de que vocês se escondem em suas camas toda noite. (o medo) Nós somos aquilo que vocês sedaram no silêncio e paralisam quando vocês atingem o paraíso noturno do qual não podem sair.” ( a consciência do todo)

Ou seja, seríamos nós, culpados por sermos limitados a visão restrita do universo que nos rodeia. Teríamos medo de conhecer a verdade do universo desde que nascemos, por isso, dormiríamos. O ato de dormir é que inibiria a visão do todo.

Extremamente insana: Você já imaginou que tudo que existe por ser resultado da imaginação de algum ser por aí? Que, no final das contas, somos todos um. Esse raciocínio parte de algumas religiões não – cristãs que acreditam que há um Deus em cada ser vivo. A união de todos seria o Deus. Estudiosos dessas vertentes dizem que essa seria uma referencia a Energia. De fato, tudo no universo se resume em energia e tudo interage e se conecta. O que faria com que nós continuássemos presos seriam os ciclos, o ciclo noturno por exemplo. Quando as cobaias quebraram um ciclo, morreram ou progrediram, depende do ponto de vista.

E você, o que acha do assunto e dessa história toda? 

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