O que aconteceria se você atingisse o ponto mais profundo dos mares?

Batsicafo, o veículo usado para visitar a Fossa das Marianas

Se você costuma mergulhar e explorar as profundezas do mar através de excursões, vai se surpreender ao conhecer o lugar que vamos apresentar. Trata-se do ponto mais profundo dos oceanos. Um local onde poucos seres humanos já tiveram a oportunidade de visitar e somente o fizerem por conta de veículos especiais para suportar a alta pressão das águas.

Estamos falando da Fossa das Marianas. Um local tão, mas tão profundo que é difícil explicar usando exemplos da nossa realidade. Imagine o Monte Everest, por exemplo. Trata-se do ponto mais alto do mundo, com impressionantes 8.848 metros de altitude. Porém, mesmo se invertêssemos essa gigantesca estrutura, ela ainda não chegaria perto do ponto mais profundo dos oceanos.

A Fossa das Marianas

A localização da Fossa das Marianas

Esse local, localizado próximo as Ilhas Marianas – o que lhe rendeu o nome –, está situado na parte norte ocidental do Oceano Pacífico. A Fossa das Marianas possui 11.034 metros de profundidade, contando ainda com 2.500 km de extensão e 70 km de espessura. Porém, o local é extremamente acidentado, o que dificulta bastante a locomoção por lá.

De acordo com estudos, essa trincheira foi formada entre 6 e 9 milhões de anos atrás. Ou seja, uma estrutura extremamente antiga. A Fossa das Marianas está localizada entre duas placas tectônicas – do Pacífico e das Filipinas –, as prováveis responsáveis por sua formação. Praticamente não há vida nesse local. Apenas alguns peixes bastante simples conseguem sobreviver ali.

A Fossa das Marianas é considerada até hoje um dos lugares menos explorados pelo ser humano. Estudiosos defendem que o local é tão fundo que até foi utilizado como depósito de materiais radioativos. O argumento dos que queriam enterrar esse lixo era de que a pressão do mar empurraria toda a substância para o manto da Terra. Contudo, o Direito Internacional proíbe o despejo de lixo nuclear nos oceanos, ação que nunca foi comprovada.

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Os visitantes do ponto mais profundo dos oceanos

Batsicafo, o veículo usado para visitar a Fossa das Marianas

Embora seja extremamente profunda, a Fossa das Marianas já recebeu visitas do ser humano. O local foi inicialmente descoberto em 1951, recebendo o nome de batismo como “Depressão Challenger”. Em 1960, o homem finalmente conseguiu alcançar esse ponto profundo dos oceanos.

A viagem aconteceu através de um batiscafo, um veículo em formato bastante singular que serve para aguentar toda a pressão da água. Apenas dois mergulhadores fizeram esse passeio nos anos 60, Jacques Piccard e Don Walsh. O perigo de permanecer na Fossa das Marianas era tão grande que eles passaram apenas 20 minutos por lá. A viagem até o local demorou cerca de cinco horas!

Durante anos, o local ficou praticamente esquecido. Entretanto, no dia 25 de março de 2012, o premiado cineasta e então cinegrafista da National Geographic, James Cameron, resolveu fazer uma visita à Forra das Marianas. Caso você não esteja reconhecendo pelo nome, Cameron foi o responsável por sucessos de bilheteria, como Titanic, Avatar e o Exterminador do Futuro.

A viagem de James Cameron

A viagem ao ponto mais profundo dos oceanos, dessa vez, foi toda registrada pelo canal National Geographic no vídeo acima. Nele podemos ver James Cameron se preparando para uma descida que levaria 2,5 horas, metade do tempo que levou a primeira visita ao local.

Quando Cameron chegou a profundidade de 10.848 metros, ele não resistiu e postou a seguinte mensagem no Twitter: “Acabei de chegar ao ponto mais fundo do oceano. Chegar ao ponto mais baixo nunca foi tão bom. Mal posso esperar para dividir o que estou vendo com vocês”. Como os pesquisadores conseguiram fazer a internet funcionar lá embaixo ainda permanece um mistério.

O famoso cineasta passou cerca de três horas na Fossa das Marianas. Lá, ele registrou diversos aspectos do local usando as diversas câmeras 3D instaladas no submarino. Embora o veículo fosse bem grande, Cameron ficou dentro de uma bola de aço bem pequena: apenas 109 centímetros de diâmetro. Tudo isso para protegê-lo da perigosa ação da pressão aquática que poderia facilmente matar qualquer um.

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Há vida na Fossa das Marianas?

Nem mesmo os peixes abissais sobrevivem na Fossa das Marianas

Sabe aqueles peixes horripilantes que vemos em algumas imagens na web? Nem mesmo eles são capazes de sobreviver no ponto mais profundo dos oceanos. O lugar é tão, mas tão fundo que a intensa pressão praticamente impede a existência de qualquer forma de vida.

Somente alguns peixes bem simples conseguem sobreviver nesse local. Caso eles fossem levados para a superfície, explodiriam por causa da falta de pressão que há aqui na atmosfera. As criaturas abissais, como aqueles peixes horrorosos que vemos em filmes, geralmente são encontrados entre 1.000 e 5.000 metros de profundidade.

O desespero do fundo do mar

Você já se perguntou como seria viver em um lugar tão profundo como a Fossa das Marianas? Nem é preciso dizer que ser humano algum conseguiria sobreviver por conta da pressão das águas sobre ele. Na verdade, o homem não tem a capacidade de aguentar muitos metros de profundidade ao fazer mergulhos no mar.

O vídeo acima, com certeza um dos mais angustiantes que você vai assistir em sua vida, mostra um mergulhador morrendo devido a alta pressão e a falta de oxigênio. Trata-se do russo Yuri Lipski, que morreu depois de atingir a profundidade de 91,6 metros no chamado Buraco Azul, um lugar bastante visitado por turistas no Egito. Toda a cena foi gravada pela própria câmera do mergulhador, o que torna tudo ainda mais horripilante.

Com essa história, fica uma lição muito importante para a humanidade: jamais devemos subestimar os oceanos. Não importa se estamos falando do lugar mais profundo dos mares, como a Fossa das Marianas, ou um simples lago usado para mergulho. Devemos ter muito cuidado e jamais desdenhar os perigos oferecidos pelas águas traiçoeiras.