Fidel Castro e o domínio de Cuba por quase 60 anos

Fidel Castro no comando de Cuba

Fidel Alejandro Castro Ruz, ou simplesmente Fidel Castro, foi uma das figuras mais icônicas do último século. O político e revolucionário cubano chamou atenção do mundo por causa de suas ideias libertárias e, por vezes, extremistas. É dele frases célebres, como “A história me absolverá” ou “Viver acorrentado é viver na vergonha”. Com sua morte em 25 de novembro de 2016, nada melhor do que relembrar a vida desse personagem que dividiu opiniões.

Fidel Castro nasceu no dia 13 de agosto de 1926. Seu pai, Ángel Castro y Argiz, era um imigrante espanhol que se estabeleceu em Cuba. Embora fosse um agricultor bem sucedido, teve problemas em seu casamento e tomou sua serva, Lina Ruz González, como amante e mais tarde segunda esposa. Junto com ela teve sete filhos, entre eles Fidel Castro. Seus irmãos são Raúl Castro, Ramón Castro Ruz, Juanita Castro, Ángela María Castro Ruz, Emma Castro e Agustina Castro.

Infância conturbada

Fidel Castro e seu irmão Raúl

Aos 6 anos de idade, por motivos ainda não explicados, Fidel castro foi vivem com um professor em Santiago de Cuba. Lá, aos 8 anos, foi batizado na Igreja Católica Romana. O batismo possibilitou que o jovem pudesse estudar no colégio La Salle, onde frequentemente demonstrava comportamentos libertários. Seria esse um prenúncio de sua vida adulta?

Por conta do mau comportamento, Fidel Castro foi transferido algumas vezes até que começou a estudar no colégio jesuíta mais prestigiado em Havana, o El Colegio de Belén. O jovem Fidel sempre demonstrou bastante interesse em assuntos como história e geografia. Porém, nunca se destacou academicamente. Em vez disso, dedicava boa parte do seu tempo a praticar esportes.

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Em 1945, aos 19 anos, começou a estudar Direito na Universidade de Havana. Lá ele começou a desenvolver sua veia política depois de se envolver em partidos socialistas. Durante essa época, Fidel Castro já demonstrava ideias anti-imperialismo e libertárias. Ele até se posicionou contra a intervenção dos Estados Unidos no Caribe. Mas foi depois de formada que suas ideias começaram a tomar forma e transformaram a vida de muitas pessoas.

Assumindo o comando de Cuba

Fidel Castro assumindo o poder

Nos anos seguintes, Fidel Castro se envolveu ainda mais com ideias socialistas. Foi preso, exilado e viajou para os Estados Unidos para buscar asilo que era oferecido aos cubanos. Nessa época, Fulgêncio Batista, então presidente de Cuba e com fortes ligações com o país americano, foi destituído do poder na Revolução Cubana (1958-1959). Fidel Castro, já com grande influência política e com a ajuda do icônico Ernesto Che Guevara, foi nomeado presidente do país.

No período pós-guerra, o mundo estava polarizado. Os países precisavam escolher entre as ideias capitalistas dos Estados Unidos e o socialismo da União Soviética. Por sempre simpatizar com as ideias libertárias, a escolha de Fidel Castro foi fácil. Porém, isso acabou resultando na separação com o país norte-americano. Em 1960, os Estados Unidos implantaram um bloqueio econômico a Cuba e os expulsaram da Organização dos Estados Americanos (OEA).

Fidel Castro instalou um regime socialista em Cuba, cumprindo seu objetivo inicial. Como medidas, eliminou a desigualdade social entre cidadãos e fez investimentos pesados em educação e saúde. Ele também implantou uma economia planificada, contando com o apoio soviético para todas essas medidas. Durante a Guerra Fria, a União Soviética, interessada na posição estratégica de Cuba em relação aos Estados Unidos, sustentou economicamente o país.

Fim da Guerra Fria

Fidel Castro assumiu o comando de Cuba

Com a derrubada do Muro de Berlin e o fim da Guerra Fria, Cuba começou a passar por problemas econômicos. A situação foi se agravando consideravelmente durante os anos, o que não melhorava por conta da manutenção do sistema socialista. Isso acabou impedindo a abertura do país para outras nações, como os Estados Unidos, que poderiam ajudar a tirar a ilha desse sufoco financeiro.

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A situação começou a tomar outra forma com o afastamento gradual de Fidel Castro do poder. O líder socialista foi obrigado a se ausentar diversas vezes do cargo máximo de Cuba por conta de problemas de saúde. Quem assumia o poder nessas ocasiões, bem como após a sua morte, era seu irmão mais novo, Raúl Castro. Com ou sem o consentimento do irmão, Raúl acabou abrindo aos poucos Cuba para outras nações, o que só veio a se concretizar perto de 2016, quando os Estados Unidos finalmente decidiram abrir as portas novamente para a ilha cubana.

Enquanto tudo isso acontecia, Fidel Castro lutava contra várias doenças e condições de saúde. Em 2006, teve uma doença intestina grave. Em 2008, acabou anunciando que não se candidataria mais ao cargo de presidente de Cuba. Sem condições físicas, acabou delegando aos poucos todas as responsabilidades para Raúl, até que, em 2016, morreu aos 90 anos de idade.

Controvérsias da vida de Fidel Castro

A morte de Fidel Castro

Embora sustentasse ideias libertárias desde o princípio, o regime socialista de Fidel Castro foi comparado diversas vezes a uma ditadura. Durante o período da Revolução Cubana, milhares de cubanos deixaram a ilha em direção aos Estados Unidos. O motivo? Insegurança política e econômica, medos que se mostrariam verdadeiros anos depois.

No final das contas, Fidel Castro foi uma figura que dividiu opiniões. Amado por muitos e odiado por outros, foi tido como “herói histórico” para esquerda e “ditador sanguinário” por líderes centro-direita. O líder máximo de Cuba também foi acusado de isolar totalmente o país por quase 60 anos. Ele também recebeu a acusação de ter sido responsável pela morte de milhares de pessoas durante o seu regime socialista.

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Fidel Castro morreu, mas deixou um legado histórico sem precedentes. Após seu falecimento, diversos líderes políticos e até o papa se manifestaram. Barack Obama, presidente dos Estados Unidos disse que “a história registrará e julgará o enorme impacto dessa figura singular no povo e no mundo ao seu redor”. Qual será o futuro de Cuba após a morte de Fidel Castro? Provavelmente só o tempo dirá.