Amigos ou inimigos? A relação do Brasil com o presidente Trump

O impacto da eleição de Donald Trump no Brasil

Em uma vitória inesperada, Donald Trump foi eleito presidente dos Estados Unidos em 2016. O republicano não era apontado como favorito nas pesquisas de voto. Tudo indicava que a adversária Hillary Clinton assumia a Casa Branca a partir de 2017. Não foi o que aconteceu. Agora a pergunta que fica é: qual é o impacto da eleição de Donald Trump no Brasil?

É lógico que ainda é cedo para dizermos. Embora os políticos façam promessas e mais promessas, só saberemos o que vai acontecer na prática. Em um primeiro momento, a eleição de Donald Trump deve trazer poucas mudanças para o povo brasileiro. Ao menos essa é a opinião de especialistas políticos que foram ouvidos logo após o anúncio da vitória do republicano.

A eleição de Donald Trump, porém, trouxe um impacto internacional muito grande. Com isso, o Brasil também foi afetado. Com suas políticas severas contra a imigração e outros tópicos delicados, alguns brasileiros podem sentir na pele a mão dura do novo presidente. Mas e o Brasil como um todo? Qual é o impacto da eleição de Donald Trump em terras tupiniquins?

O impacto da eleição de Donald Trump na economia

O impacto econômico da eleição de Donald Trump

A maior preocupação de quem procura estudar esse assunto é o impacto na economia e comércio. Para nossa sorte, a situação tende a melhorar para o Brasil. Tanto o candidato republicado vitorioso quanto a democrata derrotada tinham o mesmo discurso sobre o assunto. Promover uma abertura econômica dos Estados Unidos.

Isso beneficiaria fortemente o Brasil, que é hoje o segundo maior parceiro comercial dos norte-americanos. Estamos atrás apenas da China. Entretanto, se levarmos em conta que historicamente o Partido Republicado defende de forma mais intensa o livro comércio, a eleição de Donald Trump é ainda mais favorável. Portanto, é provável que a partir de 2017 vejamos os laços comerciais entre Brasil e Estados Unidos se estreitando cada vez mais.

O perfil pró-mercado de Trump reforça ainda mais essa tese. O novo presidente dos Estados Unidos quer ver o país crescer. Para isso, vai contar com a ajuda da iniciativa privada, tanto lá como aqui. Por isso, ao menos no campo econômico e comercial, é possível dizer que o “efeito Trump” aqui no Brasil vai ser positivo. O que não deve acontecer com outros países, como alguns da América Latina.

O impacto político e ambiental

Tweet de Donald Trump falando do aquecimento global

Na parte política, os especialistas não veem como bons olhos a vitória de Donald Trump. Antes das eleições, o mundo como um todo estava caminhando para um acordo climático bastante favorável. Estávamos realmente tentando resolver pepinos grandes, como o derretimento das calotas polares e o aquecimento global. Porém, a eleição de Donald Trump não deve dar uma luz para esses temas.

Isso acontece especialmente porque Trump diz simplesmente não acreditar na balela dos cientistas. Para o presidente eleito, o aquecimento global é uma mentira. Para os pesquisadores que estavam otimistas com os rumos que as discussões estavam tomando com Barack Obama, deve ser um balde de água fria ver o republicado assumir o poder.

Por isso, embora o Brasil não sinta economicamente a eleição de Donald Trump, vamos sentir a falta de tato que o atual presidente tem com questões ambientais. Porém, vamos torcer para que estejamos enganados. Caso contrário, veremos o mundo todo ir para um buraco sem fim. Um buraco em que não somente os Estados Unidos se afundaria, mas todos os países do globo. Esperamos estar errados.

Questão da imigração

Fronteira entre o México e os Estados Unidos

Mas a maior dúvida de todos a respeito da eleição de Donald Trump é com relação à imigração. Isso porque o presidente eleito tinha uma posição bastante intensa sobre o assunto. Ele até mesmo havia proposto construir um muro na fronteira com o México para evitar que novos imigrantes ilegais chegassem aos Estados Unidos. Isso acabou acendendo uma luz de alerta para todos os países, inclusive o Brasil.

Porém, Trump não tratou abertamente sobre o assunto durante sua eleição. Mas ele fez promessas extremas com relação aos imigrantes legais. Hoje, estima-se que cerca de um milhão de brasileiros vivam nos Estados Unidos. Boa parte dessa parcela estaria no país de forma irregular. Se vier a cumprir sua promessa, a eleição de Donald Trump vai mandar para casa toda essa gente que está de forma ilegal nos Estados Unidos.

Outro tema que chama atenção é a concessão de vistos. O Brasil deseja muito que esse processo seja menos burocrático, algo que não deve acontecer tão cedo. O desejo era atender ao menos os executivos, que precisam fazer viagens constantes aos Estados Unidos. O país norte-americano, entretanto, exige que o número de vistos rejeitados diminua consideravelmente para que isso possa acontecer. Portanto, não espere que algo desse tipo venha a ser estabelecido tão cedo.

Relação com o Brasil

Bandeira dos Estados Unidos e Brasil unidas

No final das contas, especialistas afirmam que a relação entre o Brasil e os Estados Unidos depende fortemente da relação entre os líderes dos países. Embora possuíssem ideologias diferentes, Luiz Inácio Lula da Silva (2003-2011) nutria uma ótima relação com George W. Bush (2001-2009). O mesmo acontecia entre Fernando Henrique Cardoso (1995-2002) e Bill Clinton (1993-2001), que tinha ideologias semelhantes.

Nesses casos, a relação entre os países era favorável porque os líderes se davam bem. O mesmo não pode ser dito de Barack Obama e Dilma Rousseff. Os dois até acabaram se estranhando depois que foi revelado que o governo norte-americano espionava o líder do executivo em nosso país. Desde então, a relação entre os países ficou um pouco tensa.

Porém, como agora temos dois novos presidentes, Donald Trump e Michel Temer, é provável que as coisas mudem. Como brasileiros, devemos desejar fortemente que a relação entre Estados Unidos e Brasil se fortaleça. Afinal, estamos falando do país mais poderoso do mundo. Não vamos querer estar contra uma nação desse tamanho e relevância global, não é mesmo?